O Contributo das Paragens de Autocarro e das Práticas de Comunicação na Leitura dos Territórios
DOI:
https://doi.org/10.17231/comsoc.49(2026).6815Palavras-chave:
espaço-tempo, comunicação territorial, espera, justiça social, territóriosResumo
O artigo analisa as paragens de autocarro como lugares onde se materializam usos do espaço, desigualdades e práticas de comunicação no território, permitindo compreender como a experiência da espera estrutura a leitura dos territórios. O estudo foi desenvolvido em áreas mediamente urbanas e predominantemente rurais no Norte de Portugal, com base em observação direta e registo visual. A análise centrou-se em três dimensões: (a) a materialidade da mobilidade, que torna visíveis desigualdades de acesso e situações de precariedade; (b) as inscrições simbólicas, pelas quais as paragens se convertem em lugares de memória, identidade e pertença; e (c) as disputas de comunicação, que emergem no espaço da espera, marcadas pela coexistência entre informação institucional e usos comunitários. Entre circulação e suspensão, abandono e apropriação, as paragens de autocarro revelam tensões sociais e territoriais mais amplas, expressas nas formas como a mobilidade é organizada e vivida no espaço público. Embora discretas, estas infraestruturas constituem lugares estratégicos para compreender como o território comunica através dos usos do espaço da espera, das presenças e ausências de informação e das marcas deixadas pelas práticas institucionais e comunitárias. As paragens surgem, assim, como imagens do território, participando na produção social do espaço ao refletirem processos de transformação, relações de poder e dinâmicas sociais que ultrapassam a sua função técnica.
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