O Contributo das Paragens de Autocarro e das Práticas de Comunicação na Leitura dos Territórios

Autores

DOI:

https://doi.org/10.17231/comsoc.49(2026).6815

Palavras-chave:

espaço-tempo, comunicação territorial, espera, justiça social, territórios

Resumo

O artigo analisa as paragens de autocarro como lugares onde se materializam usos do espaço, desigualdades e práticas de comunicação no território, permitindo compreender como a experiência da espera estrutura a leitura dos territórios. O estudo foi desenvolvido em áreas mediamente urbanas e predominantemente rurais no Norte de Portugal, com base em observação direta e registo visual. A análise centrou-se em três dimensões: (a) a materialidade da mobilidade, que torna visíveis desigualdades de acesso e situações de precariedade; (b) as inscrições simbólicas, pelas quais as paragens se convertem em lugares de memória, identidade e pertença; e (c) as disputas de comunicação, que emergem no espaço da espera, marcadas pela coexistência entre informação institucional e usos comunitários. Entre circulação e suspensão, abandono e apropriação, as paragens de autocarro revelam tensões sociais e territoriais mais amplas, expressas nas formas como a mobilidade é organizada e vivida no espaço público. Embora discretas, estas infraestruturas constituem lugares estratégicos para compreender como o território comunica através dos usos do espaço da espera, das presenças e ausências de informação e das marcas deixadas pelas práticas institucionais e comunitárias. As paragens surgem, assim, como imagens do território, participando na produção social do espaço ao refletirem processos de transformação, relações de poder e dinâmicas sociais que ultrapassam a sua função técnica.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia Autor

Márcia Silva, Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, Instituto de Ciências Sociais, Universidade do Minho, Braga, Portugal

Márcia Silva é professora auxiliar convidada no Departamento de Sociologia da Universidade do Minho e investigadora no Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade e no Observatório de Políticas de Comunicação e Cultura. É doutorada em Sociologia pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho e desenvolve investigação sobre cultura, mobilidades, territórios e dinâmicas sociais.

Referências

Agar, M. (1985). Speaking of ethnography. SAGE.

Andrade, J. G., Sampaio, A., Garcia, J. E., & Fonseca, M. J. (2024). The city makes its mark in a review on digital communication and citizenship. In A. Rocha, H. Adeli, G. Dzemyda, F. Moreira, & V. Colla (Eds.), Information systems and technologies (pp. 81–90). Springer. https://doi.org/10.1007/978-3-031-45651-0_9

Appadurai, A. (1986). The social life of things: Commodities in cultural perspective. Cambridge University Press.

Araújo, E. (2012). A espera e os estudos sociais do tempo e sociedade. In E. Araújo & E. Duque (Eds.), Os tempos sociais e o mundo contemporâneo: Um debate para as ciências sociais e humanas (pp. 9–25). Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade; Centro de Investigação em Ciências Sociais; Universidade do Minho.

Araújo, E. (2014). Etnografias do tempo. In M. de L. Martins & M. Oliveira (Eds.), Comunicação ibero-americana: Os desafios da internacionalização – Livro de atas do II Congresso Mundial de Comunicação Ibero-americana (pp. 3813–3817). CECS - Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade.

Augé, M. (2012). Não-lugares – Introdução a uma antropologia de supermodernidade (M. da S. Pereira, Trad.). Livraria Letra Livre. (Trabalho original publicado em 1992)

Certeau, M. de. (1994). A invenção do cotidiano: Artes de fazer (E. F. Alves, Trad.). Vozes. (Trabalho original publicado em 1990)

Cresswell, T. (2006). On the move: Mobility in the modern Western world. Routledge.

Garcia, J. E., Andrade, J. G., Sampaio, A., Pereira, M. J. S., & Fonseca, M. J. S. (2026). Nation branding in a digital post-COVID world: The cases of Portugal and Brazil. In A. Rocha, H. Adeli, A. Poniszewska-Maranda, F. Moreira, & I. Bianchi (Eds.), Emerging trends in information systems and technologies: WorldCIST 2025 (pp. 425–433). Springer. https://doi.org/10.1007/978-3-031-97799-2_34

Google. (s.d.). [Localização de paragens de autocarro na região Norte de Portugal]. Retirado a 22 de dezembro de 2025.

Harvey, D. (2001). Condição pós-moderna (A. Sobral & M. Gonçalves, Trads.). Edições Loyola. (Trabalho original publicado em 1989)

Harvey, D. (2008). The right to the city. New Left Review, 53, 23–40. https://doi.org/10.64590/fmh

Ji, Y., Gao, L., Fan, Y., Zhang, C., & Zhang, R. (2019). Waiting time perceptions at bus and metro stations in Nanjing, China: The importance of station amenities, trip contexts, and passenger characteristics. Transportation Letters: The International Journal of Transportation Research, 11(9), 479–485. https://doi.org/10.1080/19427867.2017.1398854

Lameiro, M., & Pozo Puértolas, R. (2024). O cartaz como meio de comunicação urbana. Grafica, 13(25), 213–222. https://doi.org/10.5565/rev/grafica.305

Lefebvre, H. (1974). La production de l’espace. Anthropos.

Lefebvre, H. (2012). O direito à cidade (R. Lopo, Trad.). Estúdio; Livraria Letra Livre. (Trabalho original publicado em 2000)

Melo, A. D. (2021). What’s in a place? The contribution of strategic communication to placemaking and territorial communication. In S. Balonas, T. Ruão, & M.-V. Carrillo (Eds.), Strategic communication in context: Theoretical debates and applied research (pp. 353–376). UMinho Editora/Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade. https://doi.org/10.21814/uminho.ed.46.16

Oliveira, A. (2022, 30 de junho). A necessidade de requalificar os espaços arquitetónicos das redes de mobilidade urbana. Público. https://www.publico.pt/2022/06/30/opiniao/opiniao/necessidade-requalificar-espacos-arquitetonicos-redes-mobilidade-urbana-2012078

Pink, S. (2007). Doing visual ethnography. SAGE.

Pires, H. (2007). Gritos na paisagem do nosso interior: A publicidade outdoors e a experiência sensível, nos percursos do quotidiano: À deriva por entre lugares imaginários [Tese de doutoramento, Universidade do Minho]. RepositóriUM. http://hdl.handle.net/1822/7100

Pires, H. (2021). Um passeio pela rua de São Marcos. In H. Pires & Z. Pinto-Coelho (Eds.), Passagens na vida urbana (pp. 77–79). CECS – Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade.

Pires, H., & Mesquita, F. (2018). Publi-cidade e comunicação visual urbana: Introdução. In H. Pires & F. Mesquita (Eds.), Publi-cidade e comunicação visual urbana (pp. 5–8). CECS – Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade.

Sheller, M. (2023). Public spaces of transport as mobile public spheres and atmospheric publics. Urban Studies, 60(15), 3158–3164. https://doi.org/10.1177/00420980231191931

Silva, M., Ribeiro, R., & Araújo, E. (2022). The tourist era in the city of Porto: Enchantment, suspension and (un)sustainability. In Z. Pinto-Coelho & H. Pires (Eds.), The city of the senses, the senses in the city (pp. 103–129). UMinho Editora/Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade. https://doi.org/10.21814/uminho.ed.51.6

Urry, J. (2000). Sociology beyond societies: Mobilities for the twenty-first century. Routledge.

Urry, J. (2007). Mobilities. Polity Press.

Watkins, K., Ferris, B., Borning, A., Rutherford, G. S., & Layton, D. (2011). Where is my bus? Impact of mobile real-time information on the perceived and actual wait time of transit riders. Transportation Research Part A: Policy and Practice, 45(8), 839–848. https://doi.org/10.1016/j.tra.2011.06.010

Yang, J., & Gao, L. (2025). Prediction model of bus passenger tolerable waiting time. Transportation Research Part A, 197, Artigo 104504. https://doi.org/10.1016/j.tra.2025.104504

Publicado

20-03-2026

Como Citar

Silva, M. (2026). O Contributo das Paragens de Autocarro e das Práticas de Comunicação na Leitura dos Territórios. Comunicação E Sociedade, 49, e026007. https://doi.org/10.17231/comsoc.49(2026).6815

Artigos Similares

<< < 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 > >> 

Também poderá iniciar uma pesquisa avançada de similaridade para este artigo.