https://revistacomsoc.pt/index.php/revistacomsoc/issue/feed Comunicação e Sociedade 2022-06-22T14:56:08+00:00 Comunicação e Sociedade comunicacaoesociedade@ics.uminho.pt Open Journal Systems <p><em>Comunicação e Sociedade</em> é uma revista científica da área das ciências da comunicação. Lançada em 1999, esta publicação tem um rigoroso sistema de arbitragem científica. Aderiu ao sistema OJS em 2012 e publica dois volumes por ano (junho e dezembro), em edição bilingue – desde 2013, integralmente em português e em inglês. O conselho editorial integra reputados especialistas das ciências da comunicação de diversos pontos do mundo.</p> <p>A revista <em>Comunicação e Sociedade</em> é editada pelo <a href="http://www.cecs.uminho.pt/">Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade</a> do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho, com financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT). Está <a href="https://revistas.uminho.pt/index.php/revistacomsoc/indexacao">indexada em diferentes plataformas e bases de dados de revistas científicas</a>, tanto de âmbito nacional como internacional.</p> https://revistacomsoc.pt/index.php/revistacomsoc/article/view/3516 Compreender Como os Baby Boomers Utilizam a Internet e os Média Sociais Para Melhorarem o Seu Engagement Com as Marcas 2022-06-22T14:56:08+00:00 María-Victoria Carrillo-Durán vicduran@unex.es Soledad Ruano-López solruano@unex.es M-Rosario Fernández-Falero rferfal@unex.es Javier Trabadela-Robles jtrarob@unex.es <p>O aparecimento dos <em>baby boomers</em>, como um novo grupo de pessoas/consumidores entre os 55 e os 75 anos, com interesses, hábitos de exposição aos média e padrões de compra únicos, assinalou um marco importante sobre a linguagem das marcas. O principal objetivo dos média sociais é criar <em>engagement</em> com o intuito de gerar ligação e impactar tanto os seniores como as empresas, sendo necessário, para isso, compreender como atuam no meio digital. Este trabalho tem como principal objetivo mostrar como os <em>baby boomers</em> se comportam no meio digital, apresentando as vantagens e os desafios que as marcas enfrentam para os envolver de forma efetiva. Partindo de um estudo exploratório e qualitativo operacionalizado através de grupos de foco com internautas seniores, de Portugal e Espanha, que analisou os interesses e os hábitos de exposição deste público a esses meios, os resultados mostram que as marcas parecem não falar a mesma linguagem deste público e, por essa razão, os <em>baby boomers</em> não se sentem comprometidos com elas na internet. Este trabalho avança com um conjunto de recomendações passíveis de melhorar o <em>engagement</em> e a experiência digital dos mais velhos. Nesse sentido, para criar engagement, as marcas devem conseguir entender e descortinar quais são as variáveis e pontos de interesse dos <em>baby boomers</em>, como é o caso da afiliação e do apoio. Por outro lado, devem assumir que o nível de <em>engagement</em> depende da capacidade de estabelecerem com eles um diálogo ativo, com conteúdo dirigido a diferentes segmentos da população, tendo em consideração as variáveis anteriores (afiliação e apoio), e emocionalmente relevante.</p> 2022-06-22T00:00:00+00:00 Direitos de Autor (c) 2022 María-Victoria Carrillo-Durán, Soledad Ruano-López , M-Rosario Fernández-Falero, JAVIER TRABADELA-ROBLES https://revistacomsoc.pt/index.php/revistacomsoc/article/view/3663 A Reparação da História e os Erros dos Seus Agentes em O Regresso de Júlia Mann a Paraty 2022-06-22T14:56:05+00:00 Sandra Sousa sandra.sousa@ucf.edu <p>É meu objetivo neste espaço analisar o mais recente livro de Teolinda Gersão, <em>O Regresso de Júlia Mann a Paraty</em> (2021), à luz do conceito de psicologia negra desenvolvido por Wade W. Nobles. Pretendo, assim, complexificar uma das questões centrais do romance, proferida por Sigmund Freud, o pai da psicanálise, tornado por Gersão (2021) em personagem-narrador fictícia: “será possível que sejamos incapazes de progredir no plano ético, do mesmo modo que, afinal, parecemos incapazes de amor e compaixão?” (p. 14). Ao mesmo tempo, pretendo também desconstruir o que o romance nos aponta como os erros de dois dos mais significativos agentes da história, tanto no campo científico como no literário. Influenciados e influenciadores intelectualmente, as grandes figuras da história literária, científica e do pensamento presentes no livro de Gersão foram alvo do mesmo lapso: o não questionamento crítico de um mundo apoiado na hegemonia branca, em que a diferença e a dignidade do “outro” foram rasuradas. Basendo-me no trabalho de Catherine Hall e Corinna McLeod, entre outros, sobre o processo da escrita da história como um processo reparatório demonstro ainda como <em>O Regresso de Júlia Mann a Paraty</em> efetua um diálogo crítico e reparador com o passado que se espelha no presente.</p> <p> </p> 2022-06-22T00:00:00+00:00 Direitos de Autor (c) 2022 Sandra Sousa https://revistacomsoc.pt/index.php/revistacomsoc/article/view/3681 Como a Ficção Pós-Colonial Pode Contribuir Para uma Discussão Sobre Reparação Histórica: Leitura de As Telefones (2020) de Djaimilia Pereira de Almeida 2022-06-22T14:55:57+00:00 Margarida Rendeiro mmrendeiro@netcabo.pt <p>A literatura pós-colonial portuguesa publicada depois de 1974 deixou na obscuridade o trauma do colonizado. Os autores afrodescendentes das narrativas portuguesas publicadas desde o início da segunda década deste milénio são herdeiros da geração que fez as libertações africanas, mas que, devido aos anos subsequentes de instabilidades políticas e económicas, fazem parte da diáspora afrodescendente que cresceu em Portugal, constituindo a face visível do emaranhado cultural pós-colonial que o colonialismo produziu. Djaimilia Pereira de Almeida, autora de <em>As Telefones</em> (2020), que se analisa no presente artigo, é um exemplo de uma autoria e vivência afrodescendente que tanto deve às referências culturais portuguesas como à cultura angolana. Assim, argumenta-se que as narrativas de autoria portuguesa afrodescendente desestabilizam imaginários cartográficos para refletir sobre a complexidade cultural da vivência afrodescendente, contribuindo para uma polifonia ausente sobre a memória coletiva no espaço público e consequente possibilidade de reparação histórica. Sustenta-se, por um lado, que <em>As Telefones</em> descoloniza a experiência da perda que a literatura publicada depois de 1974 associou à memória e experiência do corpo do colonizador, mas também, e muito significativamente, ao sentimento de saudade, central na cultura portuguesa; por outro lado, defende que a centralidade narrativa do telefone como único meio de transmissão de pós-memória introduz um corte na convenção literária portuguesa que privilegia a escrita como testemunho, validando a oralidade, muito tributária para a génese das literaturas africanas.</p> 2022-06-22T00:00:00+00:00 Direitos de Autor (c) 2022 Margarida Rendeiro https://revistacomsoc.pt/index.php/revistacomsoc/article/view/3687 O Mestiço na “Urgência de Existência”. Essa Dama Bate Bué! (2018), de Yara Monteiro 2022-06-22T14:55:52+00:00 Susana Pimenta spimenta@utad.pt <p>No atual panorama cultural lusófono (2010–2020), vários artistas da geração da pós-memória (Hirsch, 2016), herdeiros do trauma colonial, têm vindo a desconstruir ou a reparar equívocos, injustiças e desigualdades consequentes do sistema colonial, assim como há um conjunto de investigadores que lutam por políticas da memória mais justas, de modo a reparar a Europa na forma como pensou, classificou e imaginou os mundos distantes. A partir do romance de estreia de Yara Monteiro (1979–), <em>Essa Dama Bate Bué!</em> (2018), este artigo pretende analisar a forma como a condição pós-colonial e mestiça da “geração da pós-memória” lusófona é perspetivada. As memórias permitem indagar sobre o passado colonial e sobre as raízes e heranças culturais das gerações seguintes situadas “entre-lugares” (Bhabha, 1994/1998), como é exemplo o mestiço. Yara Monteiro enceta a discussão sobre o trauma, a mestiçagem, a humanidade, e ainda sobre uma possível universalidade ou uma possível reparação histórica, procurando normalizar no discurso europeu o outro lado da mestiçagem. Verifica-se que o processo de identificação do mestiço é ainda hoje problemático, reclamando por isso uma “urgência de existência”.</p> 2022-06-22T00:00:00+00:00 Direitos de Autor (c) 2022 Susana Pimenta https://revistacomsoc.pt/index.php/revistacomsoc/article/view/3666 A Guerra Colonial nas Narrativas Mediáticas: Como os Jornais de Portugal e Angola Recontaram uma Efeméride 60 Anos Depois 2022-06-22T14:56:01+00:00 Gustavo Freitas gustavofreitas.jor@gmail.com Ana Teresa Peixinho apeixinho71@gmail.com <p>A 15 de março de 2021 completaram-se 60 anos da insurgência angolana que deu início à Guerra Colonial. A data reavivou a memória de um marco interseccional entre as histórias de Portugal e Angola e, por ter ganhado espaço nos média informativos <em>mainstream</em>, fez-se oportuna para que se analisassem as narrativas mediáticas que recontaram o conflito. O episódio, que se deu em 1961, foi motivado por uma série de fatores, dos quais se destaca a insatisfação dos povos nativos com o regime de exploração. Nesta investigação, inscrita no campo da narratologia pós-colonial, pretendeu-se compreender de que forma os jornais portugueses e angolanos reportaram esta efeméride. Para tal, recorreu-se a uma metodologia de natureza qualitativa — a análise crítica do discurso — e analisaram-se, de modo exploratório, textos jornalísticos sobre a efeméride em questão publicados nos diários <em>Público</em> e <em>Jornal de Angola</em>. O objetivo era compreender as diferenças ideológicas entre a abordagem de cada uma das produções mediáticas, assinalando encontros e desencontros, e identificar as estratégias discursivas que moldaram tais narrativas mediáticas contemporâneas acerca de conflitos coloniais. Entre as conclusões está a perceção de que o jornal angolano costurou a sua narrativa a partir de uma perspetiva interna do colonialismo, com uma abordagem dos acontecimentos a partir dos relatos de quem os viveu. Por seu turno, o órgão português pautou-se pelas relações já pós-coloniais que se desenhavam à medida em que avançava a globalização.</p> 2022-06-22T00:00:00+00:00 Direitos de Autor (c) 2022 Gustavo Freitas, Ana Teresa Peixinho https://revistacomsoc.pt/index.php/revistacomsoc/article/view/3698 A Ambivalência Colonial nas Imagens em Movimento Contemporâneas: O Caso Português 2022-06-22T14:55:41+00:00 Patrícia Sequeira Brás patricia.sequeira.bras@ulusofona.pt <p>Este artigo é uma tentativa exploratória de abordar a ambivalência colonial implícita nas imagens em movimento contemporâneas no contexto português. O giro pós-colonial que emergiu nas últimas décadas em Portugal corrobora uma tentativa de problematizar a condição pós-colonial portuguesa, que deriva de uma admissão tardia de que a nossa sociedade contemporânea foi construída a partir da pilhagem colonial. Baseando-me na crítica à lusofonia, defendo que este giro pós-colonial é também uma consequência da necessidade de inscrever a narrativa nacional portuguesa num mundo cada vez mais global, necessidade essa que resulta da subordinação da cultura às “leis do mercado”. Além disso, essa abordagem pós-colonial presente na cultura visual contemporânea portuguesa é ambivalente, pois tende a ignorar o problema da legitimidade e da posição de fala do artista e/ou intelectual. O problema da legitimidade — de quem fala de e sobre os outros — é muitas vezes, paradoxalmente, ignorado na produção audiovisual contemporânea que aborda o passado colonial português e a sua condição pós-colonial. Da mesma maneira que a relação intrínseca entre produção visual e conhecimento e, consequentemente, entre produção visual e poder é também ignorada. Dessa forma, defendo que a ambivalência colonial continua a permear os discursos culturais e as práticas artísticas contemporâneas, mesmo quando tais práticas e discursos parecem produzir uma crítica pós-colonial.</p> 2022-06-22T00:00:00+00:00 Direitos de Autor (c) 2022 Patrícia Sequeira Brás https://revistacomsoc.pt/index.php/revistacomsoc/article/view/3691 A Iconoclastia Contemporânea: O Antirracismo Entre a Descolonização da Arte e a (Re)Sacralização do Espaço Público 2022-06-22T14:55:48+00:00 Diogo Goes diogo.costa.goes@gmail.com <p>Este artigo tem por objetivo contribuir para a reflexão sobre as fenomenologias da não identificação com o património cultural e artístico, nomeadamente, o arquitetónico e o escultórico, instalado no espaço público urbano. As práticas iconoclastas contemporâneas trouxeram para o debate político e mediático o questionamento da qualidade e pertinência das transformações estéticas e artísticas que aconteceram nas cidades. Pretende-se estabelecer possíveis relações entre os fenómenos iconoclastas, as mitografias contemporâneas e as práticas discursivas pós-coloniais e neocoloniais, abordando as problemáticas sociais e políticas subjacentes ao racismo, que poderão estar na origem das práticas de iconoclastia contra o património. A partir de uma revisão selecionada à literatura científica, publicada no último vinténio, nomeadamente, da autoria de Araújo e Rodrigues (2018), Kilomba (2019; “‘O Racismo É uma Problemática Branca’ diz Grada Kilomba”, 2016), Maeso (2016), Roldão et al. (2016), Ribeiro (2021), Santos (2003), V. Sousa (2020), Vale de Almeida (2000, 2012), Varela e Pereira (2020), entre outros, procurou-se demonstrar o contributo da arte contemporânea e do artivismo curatorial, no seio das instituições museológicas, para o questionamento das narrativas históricas institucionais e para a progressiva desconstrução das práticas discursivas lusotropicalistas, que instituem o colonialismo e a escravatura como inevitabilidades históricas aceites. Verificou-se que o pensamento hegemónico ocidental está assente numa falsa construção ideológica identitária, suportada numa alegada superioridade moral e racial, tendo em vista justificar a prossecução de um modelo de exploração económica estruturado na dominação cultural. Concluiu-se que o multiculturalismo no seio das instituições culturais, a par da salvaguarda da diversidade cultural e da interpretação patrimonial no espaço público, poderá assegurar a inclusão e coesão social, desenvolvendo sentimentos de pertença, e, por conseguinte, permitindo a mitigação das desigualdades e da violência.</p> 2022-06-22T00:00:00+00:00 Direitos de Autor (c) 2022 Diogo Goes https://revistacomsoc.pt/index.php/revistacomsoc/article/view/3727 Para Não Esquecer: Memória, Poder e Arquivo Malê em Narrativa Amadiana 2022-06-22T14:55:25+00:00 Tatiane Almeida Ferreira tatferreira3@gmail.com <p>Neste artigo, se problematiza as relações entre o poder, a memória e o arquivo que circundam a revolta dos malês, acontecimento histórico narrado em <em>Bahia de Todos os Santos: Guia de Ruas e Mistérios</em>, do escritor Jorge Amado (1977), buscando compartilhar reflexões, tensionamentos e intenções que o contato com os estudos pós-estruturalistas e decoloniais podem provocar ante a história, significando um movimento de insubmissão capaz de potencializar uma crítica ao pensamento oficial e às narrativas eleitas. A resistência e a busca malê para resguardar sua identidade é uma potência expressa no livro amadiano, que denuncia a violência física, linguística, religiosa, social e histórica vivenciada pela desumanização dos corpos negros e o apagamento da história nacional dessas figuras populares que tiveram uma participação em lutas em prol da liberdade e foram silenciadas nas narrativas oficias da nação. O trabalho desenvolvido tem por intuito ainda compreender como o romancista brasileiro aborda essas estruturas forjadas nas relações de poder e de controle da história e da memória utilizadas como mecanismos para apagar identidades das minorias étnicas em solos brasileiros. Para o desenvolvimento deste estudo, foram utilizadas as concepções teóricas de Derrida (1995/2001), Deleuze (1969/2009), Foucault (1969/2008), Mignolo (2003), Grosfoguel (1996), Quijano (2005) e Reis (1986).</p> 2022-06-22T00:00:00+00:00 Direitos de Autor (c) 2022 TATIANE ALMEIDA FERREIRA TATI https://revistacomsoc.pt/index.php/revistacomsoc/article/view/3704 Processos de Marginalização Étnica e Cultural na África Pós-Colonial. O Caso dos Amakhuwa de Moçambique 2022-06-22T14:55:39+00:00 Luca Bussotti labronicus@gmail.com Laura António Nhaueleque lauramacua@gmail.com <p>Apesar de a questão étnica nunca ter constituído um elemento explícito na construção do Estado moçambicano, esta sempre caracterizou a vida pública do país, com tensões relevantes, mas geralmente negligenciadas. Durante a luta de libertação, dois grupos étnicos aliaram-se, os “intelectuais” ronga e os “guerrilheiros” maconde, de facto excluindo os outros povos de Moçambique deste processo que irá marcar indelevelmente a história do país pós-colonial. Na época socialista, o lema “matar a tribo para fazer a nação” continuou a procrastinar o “esquecimento étnico”, prefigurando uma tentativa, malsucedida, de impor o modelo socialista autoritário formulado pelos ronga e machangana a todo o resto do país. A mesma situação se deu com a viragem democrática da década de 1990. Neste caso, diante de um pluralismo formal, os elementos de poder, assim como culturais e artísticos privilegiados foram, mais uma vez, os produzidos no sul (timbila e marrabenta) e no norte, pelos maconde (mapiko e esculturas), em detrimento de outros povos, entre os quais os amakhuwa, o grupo numericamente maioritário em Moçambique. Para este processo de marginalização étnica contribuíram doadores e investigadores internacionais, que aceitaram e desenvolveram a pauta proposta pela Frente de Libertação de Moçambique, interpretando práticas tradicionais como os ritos de iniciação sob o ponto de vista da violação dos direitos humanos. A pesquisa aqui apresentada traz evidências de como este longo processo de esquecimento étnico foi, em boa verdade, um programa político pensado e implementado desde a luta de libertação e que continuou, com as necessárias adaptações, até hoje, influindo diretamente na difusão da produção cultural e artística local. A abordagem usada foi de tipo histórico, com contínuos cruzamentos com a análise política e as políticas culturais de Moçambique.</p> 2022-06-22T00:00:00+00:00 Direitos de Autor (c) 2022 Luca Bussotti https://revistacomsoc.pt/index.php/revistacomsoc/article/view/3722 Uma Perspetiva Decolonial Sobre Discursos dos Média Online no Contexto da Violência Contra Pessoas com Deficiência na África do Sul 2022-06-22T14:55:29+00:00 Lorenzo Dalvit l.dalvit@ru.ac.za <p>Como uma das sociedades mais violentas e desiguais do mundo, a África do Sul ainda é profundamente moldada por um legado de segregação e opressão. Embora raça, género e status socioeconómico recebam muita atenção, a deficiência é uma dimensão importante, mas muitas vezes negligenciada, da desigualdade. Neste artigo, adoto uma perspetiva decolonial ao discutir artigos dos média online sobre violência contra pessoas com deficiência. Ao concentrar-me em histórias relacionadas com questões que receberam ampla cobertura dos média (por exemplo, saúde mental, brutalidade policial e violência baseada em género), problematizo o discurso eurocêntrico de direitos humanos que informa discussões públicas e académicas. Também exploro a ligação entre os atuais entendimentos da deficiência e o legado de um violento passado colonial e do apartheid. Como resultado da natureza interseccional da deficiência, muitas das histórias envolvem múltiplas camadas de desigualdade e diferentes formas de opressão. Um foco explícito em formas extremas de violência institucional e física, enquanto restringe o escopo de investigação, traz a brutalidade da modernidade ocidental e os seus efeitos sobre as pessoas afetadas. O recurso jurídico parece levar, na melhor das hipóteses, a uma reparação incompleta, enquanto as suas falhas perpetuam um ciclo de marginalização e opressão. Em vez de problematizar essas falhas estruturais como resultado da modernidade ocidental e do neoliberalismo, os média inadvertidamente ofuscam esses vínculos ao realizar o seu normativo, ou seja, identificando e expondo culpados individuais ou culpando fatores contextuais.</p> 2022-06-22T00:00:00+00:00 Direitos de Autor (c) 2022 Lorenzo Dalvit https://revistacomsoc.pt/index.php/revistacomsoc/article/view/3718 (Des)Colonialidade Linguística e Interculturalidade nas Duas Principais Rotas da Mobilidade Estudantil Brasileira 2022-06-22T14:55:36+00:00 Rovênia Amorim Borges roveniaa@gmail.com <p>Embora frequentar universidades em Portugal e nos Estados Unidos seja ainda um privilégio para quem vem de famílias brasileiras com elevado capital econômico, políticas para o fomento da internacionalização têm levado, na última década, a uma intensificação e diversificação desses fluxos de mobilidade estudantil. Guiando-nos pelos estudos descoloniais, apresentamos, neste artigo, uma análise da interseccionalidade de raça e domínio de língua inglesa de estudantes de nacionalidade brasileira em Portugal e nos Estados Unidos. Os resultados referem duas investigações empíricas realizadas entre 2013 e 2020, e apontam que estudantes negras/os, participantes do mesmo programa de mobilidade com bolsas de estudo nestes dois países, apresentaram menor proficiência em inglês em comparação com bolsistas brancas/os. Em contrapartida, estudantes de uma elite econômica branca não indicaram a insuficiência no domínio de inglês como fator de decisão pela escolha de Portugal. A nosso ver, essas assimetrias devem ser percebidas e problematizadas a partir da colonialidade no ensino de inglês no Brasil que, no espaço de educação internacional, tem limitado escolhas e (re)produzido desigualdades. Todavia, nos tempos pandêmicos que apressam a transição para a mobilidade virtual, a maior diversidade étnico-racial e amplitude socioeconômica da mobilidade estudantil do Brasil para universidades portuguesas suscita outras e mais aprofundadas reflexões sobre as interações interculturais (presenciais) que resultam desses deslocamentos. As experiências de estudar em Portugal têm sido marcadas por alguns desencontros linguísticos, a exemplo dos imaginários de um subalterno português brasileiro e de um superior português de Portugal. Os constrangimentos que resultam dessas (in)comunicações interculturais entre estudantes do Brasil e de Portugal podem ser explicados, pelo menos em parte, pela reverberação, na contemporaneidade, da colonialidade do ensino da língua portuguesa nos dois países. Vamos argumentar que essas tensões, presentes em espaços acadêmicos da antiga metrópole do Brasil, potencializam o que temos designado de “despertar descolonial”.</p> 2022-06-22T00:00:00+00:00 Direitos de Autor (c) 2022 Rovênia Amorim Borges Borges https://revistacomsoc.pt/index.php/revistacomsoc/article/view/3697 O Ciberespaço Como Denúncia: Assédio e Discriminação Vinculados à Colonialidade no Projeto Brasileiras Não Se Calam 2022-06-22T14:55:45+00:00 Camila Lamartine camilalamartinemb@gmail.com Marisa Torres da Silva marisatorresilva@fcsh.unl.pt <p>O estereótipo da mulher latina é comummente associado à sexualidade. Dentre elas, as mulheres brasileiras parecem carregar ainda mais este estigma mundo fora. Enquanto imigrantes, interseccionadas por outras matrizes de opressão além de género e raça, por exemplo, estas mulheres veem-se sujeitas a diversas marcas ainda remanescentes da colonialidade eurocêntrica que as inferioriza e silencia (Mignolo, 2000/2003), o que é agravado quando o país de emigração é o seu colonizador. Este artigo explora a utilização do ciberespaço como campo de denúncia e ativismo feminista através do estudo de caso do perfil @brasileirasnaosecalam, a partir da análise de conteúdo. O projeto surge na rede social digital Instagram com o intuito de denunciar, de maneira anónima, assédios, discriminações e preconceitos que mulheres imigrantes brasileiras sofrem em Portugal, especificamente por carregarem consigo a sua própria nacionalidade. Assim, através do ciberativismo, também feminista, as mulheres dispõem de um novo ciclo político de oportunidades impulsionadas pela construção e consolidação de laços entre elas ao redor do globo, rompendo binarismos, também entre primeiro e terceiro mundo, num apelo à articulação entre fronteiras (Timeto, 2019). Constata-se a relevância de empreender uma visão ontológica que se apoie numa perspetiva feminista decolonial e interseccional que utiliza o ciberfeminismo como aliado de interconexão entre o espaço digital e o real.</p> 2022-06-22T00:00:00+00:00 Direitos de Autor (c) 2022 Camila Lamartine https://revistacomsoc.pt/index.php/revistacomsoc/article/view/3685 Da Contestação à Reflexão Sobre Patrimónios Culturais e Históricos 2022-06-22T14:55:54+00:00 Pedro Rodrigues Costa pcosta7780@gmail.com <p>O livro<em> Patrimónios Contestados</em> reúne 10 textos em torno do tema do património enquanto convenção construída, histórica e socialmente. Numa altura em que estão acesas as controvérsias acerca dos processos de descolonização cultural, este livro apresenta diversos contributos para pensar as transformações tanto nos modos de encarar os processos de descolonização cultural como nas práticas a adotar para a concretização desse processo. Trata-se de uma contribuição sustentada em pontos de vista variados, assente em visões nacionais e internacionais deste fenómeno sociológico...</p> 2022-06-22T00:00:00+00:00 Direitos de Autor (c) 2022 Pedro Rodrigues Costa https://revistacomsoc.pt/index.php/revistacomsoc/article/view/3719 Produção de Conhecimento, Reparação Histórica e Construção de Futuros Alternativos. Entrevista Com Miguel de Barros 2022-06-22T14:55:32+00:00 Rosa Cabecinhas cabecinhas@ics.uminho.pt Miguel de Barros miguel.m.debarros@gmail.com <p>A pandemia da COVID-19 exacerbou de modo dramático desigualdades sociais pré-existentes e tornou mais urgente a consciencialização da necessidade de transformação social. Os movimentos sociais para a descolonização do conhecimento e dos sistemas de governança ganharam novo ímpeto assim como as demandas de reparação histórica e de justiça climática, sanitária e alimentar. A reparação histórica tem sido por vezes equacionada apenas em termos de restituição de bens materiais ou de compensação financeira, mas trata-se de uma tarefa bem mais complexa que passa necessariamente por tornar a produção de conhecimento um processo mais envolvente e participativo, dentro e fora da academia, colocando em diálogo diversos saberes com vista à construção de futuros mais justos e inclusivos...</p> 2022-06-22T00:00:00+00:00 Direitos de Autor (c) 2022 Rosa Cabecinhas, Miguel de Barros https://revistacomsoc.pt/index.php/revistacomsoc/article/view/4039 A Restituição Cultural Como Dever de Memória 2022-06-22T14:55:21+00:00 Vítor de Sousa vitordesousa@ics.uminho.pt Sheila Khan sheilakhan31@gmail.com Pedro Schacht Pereira pereira.37@osu.edu <p>O <em>Dever de Memória</em>, título que Primo Levi (2011) deu a um dos seus livros, consubstancia toda a lógica que está subjacente à restituição cultural, num processo que está em marcha, tendente a promover a reparação dos danos provocados pelo colonialismo. Muito embora a reparação nunca seja completamente concretizada, a atitude que lhe está subjacente pode atenuar ressentimentos, num sinal assente na diversidade e não, como quase sempre aconteceu, numa lógica unilateral, decorrente de um olhar ocidental. Através da utilização da memória, que, no caso de Levi, incidiu sobre o holocausto — a que se reporta a cunhagem da expressão “dever de memória” —, foi dado o seu testemunho enquanto judeu que foi prisioneiro dos nazis, para que nada semelhante alguma vez voltasse a acontecer. Há um urgente dever de memória tendente a reparar atrocidades cometidas em tempo colonial, através do exercício da violência por parte de quem colonizava. Por conseguinte, a ideia de “dever da memória” quer significar a responsabilidade ética de nunca esquecer...</p> 2022-06-22T00:00:00+00:00 Direitos de Autor (c) 2022 Vítor Sousa