Comunicação e Sociedade https://revistacomsoc.pt/index.php/revistacomsoc <p><em>Comunicação e Sociedade</em> é uma revista científica da área das ciências da comunicação, editada pelo <a href="http://www.cecs.uminho.pt/">Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade</a>. Publica dois volumes por ano (junho e dezembro), em edição bilingue, integralmente em português e em inglês.</p> Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS) da Universidade do Minho pt-PT Comunicação e Sociedade 1645-2089 <p>Os autores são titulares dos direitos de autor, concedendo à revista o direito de primeira publicação. O trabalho é licenciado com uma Licença <a href="https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/" rel="license">Creative Commons - Atribuição 4.0 Internacional</a>.</p> Quando as Redes Sociais Digitais São Fontes Jornalísticas — Uma Abordagem a Códigos Deontológicos https://revistacomsoc.pt/index.php/revistacomsoc/article/view/4748 <p>A influência dos média sociais no campo do jornalismo, hoje incontornável, manifesta-se em várias vertentes, criando desafios que não podem ser ignorados pelos profissionais. Enquanto fontes, estão a ser cada vez mais utilizados, contribuindo para a emergência de novas dinâmicas de produção noticiosa, em particular na cobertura de acontecimentos em continuidade, nos quais impera a velocidade de transmissão e o imediatismo constitui um valor em si mesmo, incentivando a extração de conteúdos disponíveis na internet, sem tempo para escrutínio. Neste artigo, o fenómeno é enquadrado numa perspetiva ética. Através da análise de 32 códigos deontológicos — e instrumentos semelhantes — que incorporam esta realidade em partes específicas foram identificados valores e princípios jornalísticos neles inscritos acerca das modalidades de recolha de informação, sobretudo em redes sociais digitais. A exigência de verificação e validação do material e de identificação da fonte, procedimentos tradicionais, é predominante, atentos os potenciais riscos para o rigor de uma narrativa jornalística. Também é detetada, na maioria dos códigos integrados no <em>corpus</em>, a preocupação de acautelar o dano na esfera privada de cidadãos, eventualmente decorrente da difusão de material. Não se trata apenas de proteger a privacidade, em geral, mas de ponderar questões de grande sensibilidade a ela associáveis: a vulnerabilidade e dor em que se possam encontrar os autores das postagens e a presença nas redes de vítimas ou cidadãos menores de idade.</p> Paulo Martins Direitos de Autor (c) 2024 Paulo Martins https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2024-01-31 2024-01-31 45 e024001 e024001 10.17231/comsoc.45(2024).4748 Qualidade Jornalística e Estabilidade Democrática em Tempos de Crise: Reflexões Empíricas de Jornais Espanhóis https://revistacomsoc.pt/index.php/revistacomsoc/article/view/4754 <p>No contexto social e político em que vivemos, com um incremento de atores sociais neopopulistas e um cenário de instabilidade democrática, é fundamental entender a qualidade do jornalismo na pós-democracia. A situação de infodemia, que vivemos durante a pandemia da COVID-19, ressaltou os aspetos negativos do uso das redes sociais como ferramenta de informação que ajuda a desenvolver as competências básicas para exercer uma cidadania ativa na democracia liberal. Nestas circunstâncias, é fundamental analisar o papel do jornalismo de referência no combate à desinformação e a sua importância no fomento do pensamento crítico da cidadania, para, desse modo, inserir na agenda pública temas de interesse público.<br />O objetivo principal desta investigação é analisar a qualidade do conteúdo produzido por jornais espanhóis de referência e disponibilizado aos cidadãos por meio das redes sociais. Para isso, utilizamos como metodologia os paradigmas qualitativo e quantitativo, centrados no quadro epistemológico em que estão circunscritos, para realizar uma análise ao conteúdo, a sua tendência e viés político relativamente aos boatos sobre o coronavírus publicados pelos jornais de referência no cenário nacional e regional nos seus perfis do Facebook. <br />Os resultados desta investigação revelam uma baixa interação da audiência com as publicações e abrem novas discussões sobre o tipo de matérias que atraem a atenção do público e que, ao mesmo tempo, podem cumprir com a formação e o fomento do pensamento crítico da cidadania.</p> Silvia Felizardo dos Santos Rut Martínez Borda Direitos de Autor (c) 2024 Silvia Felizardo dos Santos, Rut Martínez Borda https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2024-03-18 2024-03-18 45 e024003 e024003 10.17231/comsoc.45(2024).4754 Participação e Confiança na Comunicação Comunitária: Os Casos do Vela Notícias e do Jornal da Aldeia https://revistacomsoc.pt/index.php/revistacomsoc/article/view/4813 <p>Esta pesquisa tem como objetivo compreender as dinâmicas de participação presentes em veículos informativos produzidos por cidadãos não-jornalistas, no interior de Portugal. A partir de um estudo exploratório, são analisadas duas iniciativas desenvolvidas por comunidades localizadas no interior do país, o <em>Vela Notícias</em>, na região Centro, e o<em> Jornal da Aldeia</em>, na região do Alentejo. Estas são entendidas como objetos empíricos de um fenómeno que reflete o distanciamento e os constrangimentos dos média tradicionais, o desejo das populações destes territórios de partilharem conhecimento de interesse local e a necessidade de os cidadãos se sentirem representados social e culturalmente. As duas iniciativas surgiram em regiões desertificadas, com menos de 1.000 habitantes, e envelhecidas, segundo os Censos 2021 (Instituto Nacional de Estatística, 2021).<br />A fim de compreender e discutir tais questões, além da revisão da literatura pertinente ao tema, realizaram-se entrevistas semiestruturadas, como procedimento metodológico, aos participantes envolvidos na produção informativa dos dois média comunitários. A importância do estudo consiste em compreender dinâmicas comunicacionais de proximidade que envolvem cidadãos não-jornalistas.<br />Os cidadãos das duas freguesias participam na criação de conteúdos, na escolha dos assuntos, na edição e na distribuição dos periódicos. A produção não está submetida às lógicas de seleção, filtragem e hierarquização jornalísticas. Ainda assim, os entrevistados demonstram interesse e confiança nas informações publicadas. O interesse em participar relaciona-se com o desejo de partilha de valores comuns e vínculos culturais, que contam ainda com o sentimento de pertença e de responsabilidade social.</p> Adriana Gonçalves Aline Grupillo Paulo Victor Melo Direitos de Autor (c) 2024 Adriana Gonçalves, Aline Grupillo, Paulo Victor Melo https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2024-03-20 2024-03-20 45 e024004 e024004 10.17231/comsoc.45(2024).4813 A Hipertelevisão no Cenário Mediático Brasileiro: Uma Análise das Estratégias Adotadas Pela Plataforma de Streaming Globoplay https://revistacomsoc.pt/index.php/revistacomsoc/article/view/4812 <p>Este artigo visa examinar como a televisão brasileira tem respondido às tendências tecnológicas no contexto da convergência mediática, com foco específico na plataforma de <em>streaming</em> do Grupo Globo, o maior conglomerado de média da América Latina, conhecida como Globoplay. O argumento central deste artigo gira em torno das várias formas de engajamento empregues pela organização enquanto procura adaptar-se ao cenário de constante mudança dos média. Utilizando o método de estudo de caso (Yin, 2015), esta pesquisa correlaciona o quadro teórico com três pontos centrais destinados a discutir as noções de engajamento na era da convergência dos média como base para as relações da televisão com os seus anunciantes, a criação de produtos e projetos audiovisuais e, sobretudo, a sua relação com a audiência. A análise destaca o uso de técnicas como inteligência artificial e aprendizagem automática, que ajudam a plataforma a remodelar as suas estratégias e processos de tomada de decisão. À luz dos resultados e discussão subsequentes, pode-se inferir que o objetivo principal dessas iniciativas consiste em adaptar-se ao contexto hipertelevisivo e ampliar o modo como o Grupo Globo se relaciona tanto com o seu público como com os seus anunciantes.</p> Valdemir Santos Neto Direitos de Autor (c) 2024 Valdemir Santos Neto https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2024-04-23 2024-04-23 45 e024006 e024006 10.17231/comsoc.45(2024).4812 O Papel da Televisão na Definição da Democracia: Um Velho Sonho com um Grande Futuro? https://revistacomsoc.pt/index.php/revistacomsoc/article/view/4893 <p>Dominique Wolton (1947) dispensa apresentações no campo das ciências sociais e para lá da esfera anglo-saxónica. Há 35 trabalhos do sociólogo francês difundidos em 26 países e em 23 línguas. Fora da academia, o seu reconhecimento é igualmente abrangente, pertencendo, por exemplo, à Ordem Nacional da Legião de Honra, a mais alta distinção francesa criada por Napoleão e limitada a apenas 75 pessoas vivas. Com um doutoramento em Sociologia, Wolton admite que o seu principal objetivo é estudar comunicação em termos interdisciplinares, com enfoque na relação entre indivíduo, técnica, cultura e sociedade. Entre os livros que publicou, destacam-se: <em>Éloge du Grand Public. Une Théorie Critique de la Television</em> (O Elogio do Público em Geral: Uma Teoria Crítica da Televisão; Wolton, 1990); <em>Penser la Communication</em> (Pensar a Comunicação; Wolton, 1997); <em>Internet et Après? Une Théorie Critique des Nouveaux Médias</em> (Internet e Depois? Uma Teoria Crítica dos Novos Média; Wolton, 1999); <em>Sauver la Communication</em> (Salvem a Comunicação; Wolton, 2005); <em>Informer N’est pas Communiquer</em> (Informar Não É Comunicar; Wolton, 2009); e <em>Communiquer, C’est Négocier</em> (Comunicar É Negociar; Wolton, 2022).</p> Abílio Almeida Dominique Wolton Direitos de Autor (c) 2024 Abílio Almeida, Dominique Wolton https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2024-04-24 2024-04-24 45 e024007 e024007 10.17231/comsoc.45(2024).4893 Diferenciando Marketing Verde de Greenwashing com Base em Dados do Banco do Brasil S.A. e Natura & Co. https://revistacomsoc.pt/index.php/revistacomsoc/article/view/5154 <p>Este estudo tem como objetivo identificar as diferenças entre as ações de marketing verde e de tendência ao <em>greenwashing</em>, bem como suas implicações para as práticas de desenvolvimento socioambiental das empresas, com base em dados do Banco do Brasil S.A. e Natura &amp; Co. Utilizou-se uma pesquisa qualitativa, descritiva e estudo de caso múltiplo, realizado com análise de documentos, como relatórios anuais, além de outras informações disponíveis aos consumidores pelas duas empresas em seus <em>sites</em>. A análise documental foi orientada pela <em>check-list</em> construída a partir da revisão teórica. A pesquisa evidenciou que as duas organizações analisadas seguem princípios éticos na publicização de suas ações no âmbito da sustentabilidade, nas dimensões ambiental e social, configurando desta forma o modelo de marketing verde, preconizado na literatura científica, distanciando-se da tipificação de <em>greenwashing</em>. Tanto o Banco do Brasil como a Natura &amp; Co. demonstram, por meio de relatórios disponibilizados em seus <em>sites</em>, a realização de ações e apoio a projetos, tanto sociais, como ambientais, que, ao serem objeto de comunicação ao mercado e <em>stakeholders</em>, evidenciam características de veracidade, com indicação de fontes e documentos que comprovam a efetiva execução de ações citadas. Destarte, é possível inferir que se trata de marketing verde e não <em>greenwashing</em>.</p> Camila da Costa Dusan Schreiber Paola Schmitt Figueiró Luciane Pereira Viana Direitos de Autor (c) 2024 Camila da Costa, Dusan Schreiber, Paola Schmitt Figueiró, Luciane Pereira Viana https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2024-02-15 2024-02-15 45 e024002 e024002 10.17231/comsoc.45(2024).5154 A Importância da Identificação dos Valores da Marca IKEA Portugal Para a Decisão de Compra dos Seus Consumidores Millennials https://revistacomsoc.pt/index.php/revistacomsoc/article/view/5376 <p>O presente artigo aborda a influência significativa da geração Y ou dos <em>millennials</em> no comportamento de compra e nas interações com a marca. O foco desta geração num mundo melhor e o facto de serem nativos digitais impulsionou mudanças no <em>e-commerce</em> e na forma como as empresas operam. Esta trata-se de uma geração preocupada com o planeta e com o futuro, que conseguiu forçar honestidade e transparência das empresas acerca dos seus produtos, processos e valores. Os <em>millennials</em> estão mais propensos a apoiar marcas que priorizam a responsabilidade social, a sustentabilidade e as práticas éticas. Os valores da marca ganharam destaque, moldando as perceções e o comportamento do consumidor. Esses valores representam as crenças e os princípios que a marca defende e têm um impacto significativo nas perceções dos consumidores sobre esta e o comportamento em relação a ela. O objetivo deste estudo é explorar como os valores da marca IKEA afetam as decisões de compra dos consumidores <em>millennials</em> portugueses. Foi utilizada uma metodologia quantitativa, com a aplicação de um inquérito por questionário, através do qual se obteve 402 respostas junto dos consumidores da marca IKEA. As principais conclusões indicam que os valores da IKEA Portugal impactam significativamente as decisões de compra dos consumidores <em>millennials</em>, especialmente as relacionadas com a relação qualidade-preço, sustentabilidade, responsabilidade social e apoio às comunidades.</p> Nuno Goulart Brandão Bárbara Côrte Direitos de Autor (c) 2024 Nuno Goulart Brandão, Bárbara Côrte https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2024-04-22 2024-04-22 45 e024005 e024005 10.17231/comsoc.45(2024).5376 Greenwashing e Desinformação: A Publicidade Tóxica do Agronegócio Brasileiro nas Redes https://revistacomsoc.pt/index.php/revistacomsoc/article/view/5417 <p>O agronegócio, um dos principais setores econômicos do Brasil, compõe uma das mais poderosas forças políticas no congresso do país, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), e aparece como o principal impulsionador do <em>lobby</em> anti-ambiental. A FPA busca incidir sobre a legislação trabalhista, fundiária e tributária e foi uma importante aliada do Governo de Jair Bolsonaro, uma vez que a agenda de desmonte ambiental do ex-presidente ia ao encontro dos interesses econômicos do agronegócio. No entanto, a necessidade de garantir uma imagem positiva do setor se reflete em diversas estratégias de comunicação, inclusive na veiculação de anúncios pagos nas plataformas online. Nesse sentido, a presente pesquisa pretende analisar a possível presença de <em>greenwashing</em> e/ou desinformação nos 158 anúncios publicados pela FPA no Facebook e Instagram durante o ano de 2023. Após coletarmos os anúncios na interface da Biblioteca de Anúncios da Meta, adotamos três abordagens complementares de análise que nos permitiram identificar e interpretar as estratégias discursivas empregadas pela FPA para “melhorar a imagem do agro”: contagem automática de palavras e análise de coocorrência entre elas, análise de conteúdo e análise de discurso. Nos anúncios analisados, a sustentabilidade é instrumentalizada pelo agronegócio brasileiro como <em>greenwashing</em> e desinformação em sua comunicação publicitária online. Essas estratégias discursivas são utilizadas na publicidade digital da FPA para criminalizar os movimentos sociais que lutam por uma reforma agrária e para disseminar pânico sobre inseguranças jurídicas relacionadas ao direito à propriedade. De uma forma geral, nossos resultados mostram que os anúncios defendem a necessidade de manutenção do status quo das relações socioeconômicas no campo brasileiro e promovem negacionismo em relação aos impactos ambientais do agronegócio.</p> Priscila Medeiros Débora Salles Thamyres Magalhães Bianca Melo Rose Marie Santini Direitos de Autor (c) 2024 Priscila Medeiros, Débora Salles, Thamyres Magalhães, Bianca Melo, Rose Marie Santini https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2024-05-09 2024-05-09 45 e024008 e024008 10.17231/comsoc.45(2024).5417 Pouco Instagramável: A Sustentabilidade na Comunicação Digital da Moda Autoral Portuguesa https://revistacomsoc.pt/index.php/revistacomsoc/article/view/5370 <p>A conceção da insustentabilidade da indústria da moda começa a ser amplamente reconhecida, tornando urgente a necessidade de incentivos de forma a produzir com maior respeito pelo meio ambiente e pelos recursos humanos. Os atributos comummente associados à oferta de moda de autor, como a durabilidade, a criatividade e a estética, vêm possibilitar que o trabalho autoral se posicione na liderança da moda sustentável. Para que tal ocorra, revela-se fundamental que esta mensagem chegue aos consumidores. Com a indispensabilidade da comunicação digital para alcançar o público das marcas, é premente compreender o destaque dado às questões da sustentabilidade nas plataformas digitais da moda autoral portuguesa. As análises temática reflexiva e do conteúdo publicado no Instagram de 47 designers que apresentaram as suas coleções na “ModaLisboa” ou no “Portugal Fashion” permitiram constatar um desinteresse generalizado pela promoção do fator sustentabilidade. Foram categorizadas e analisadas 2.753 publicações, concluindo que a plataforma digital é, em larga escala, usada para expor o produto final, sendo preteridas as informações relacionadas com os processos produtivos, as matérias-primas ou a mão de obra. Estes temas foram apenas observados em cerca de 10% do total de conteúdos, sendo omissos num conjunto significativo dos designers e das marcas de moda analisados. Esta investigação apresenta importantes contributos: um cruzamento pioneiro entre moda, sustentabilidade e comunicação digital portuguesas, que permite reduzir a escassez de trabalhos na área, bem como a recomendação de boas práticas de comunicação e educação para a sustentabilidade da moda autoral nacional.</p> Pedro Dourado Direitos de Autor (c) 2024 Pedro Dourado https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2024-05-09 2024-05-09 45 e024009 e024009 10.17231/comsoc.45(2024).5370