Entre o Enigma da Cidade e o Feed Digital: A Feira das Brecholeiras e o Território Urbano de Madureira

Autores

  • Jorgiana Melo de Aguiar Brennand Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura, Escola de Comunicação, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil https://orcid.org/0000-0002-3210-4133
  • Ricardo Ferreira Freitas Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Faculdade de Comunicação Social, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil https://orcid.org/0000-0002-4486-763X
  • Igor Lacerda Instituto de Resistência aos Antimicrobianos de São Paulo, Universidade Federal de São Paulo, São Paulo, Brasil https://orcid.org/0000-0002-6347-4356

DOI:

https://doi.org/10.17231/comsoc.49(2026).6812

Palavras-chave:

cidade-enigma, território urbano, subúrbio, Madureira, Feira das Brecholeiras

Resumo

Madureira é um dos bairros mais pulsantes do subúrbio da cidade do Rio de Janeiro. Palco de ocupações criativas na rua, Madureira revela-se como um espaço concreto e imaginado, atravessado por memórias, afetos e práticas cotidianas que reinventam suas ruas, praças e viadutos, como o Negrão de Lima, considerado a principal via de acesso ao bairro. Aos sábados, o baixio daquele espaço se transforma na Feira das Brecholeiras, evento que comercializa artigos novos e usados a preços atrativos. O objetivo deste artigo é discutir a forte conexão da feira com Madureira, considerada o coração simbólico do subúrbio carioca. Investigamos como essa relação é narrada por meio da análise de postagens, reels e stories, publicados, entre 29 de julho e 31 de agosto de 2025, nos canais oficiais de divulgação do evento: duas páginas no Facebook (Brecholeiras e Brecholeiras – CUFA Madureira/RJ Vitrine Virtual) e um perfil no Instagram (@brecholeirasoficial). Avaliamos também alguns conteúdos veiculados no YouTube por outros canais, por entendermos que funcionam como espaços para divulgação do evento e do território urbano de Madureira. O estudo foi conduzido a partir da articulação entre levantamento bibliográfico e análise da narrativa, com foco na construção e representação do dia a dia de Madureira nas postagens analisadas. Buscamos, assim, identificar narrativas que evidenciam a conexão entre o evento e Madureira, revelando como um divulga o outro em suas vivências cotidianas. Em conclusão, identificamos narrativas que revelam a conexão entre a Feira das Brecholeiras e o bairro, explicitando que ambos se promovem e se complementam mutuamente.

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Biografias Autor

Jorgiana Melo de Aguiar Brennand, Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura, Escola de Comunicação, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil

Jorgiana Melo de Aguiar Brennand integra o Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da Universidade Federal do Rio de Janeiro. É doutora em Comunicação pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro; mestre em Administração pelo Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais/Rio de Janeiro; especialista em Gerência Executiva de Marketing e graduada em Comunicação Social (Jornalismo), pela Universidade Federal do Ceará. É pesquisadora do Laboratório de Comunicação, Cidade e Consumo e do grupo de pesquisa Comunicação Urbana, Consumo e Eventos, todos pertencentes ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. É professora da graduação em Publicidade e Propaganda no Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais/Rio de Janeiro, onde também coordena trabalho de conclusão de curso e é responsável pelo eixo temático Planejamento e Comunicação Organizacional, do referido curso. Tem experiência em comunicação, pesquisando principalmente os seguintes temas: consumo, moda, brechós, subúrbio, nostalgia, memória e etnografia virtual.

Ricardo Ferreira Freitas, Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Faculdade de Comunicação Social, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil

Ricardo Ferreira Freitas é professor titular da Faculdade de Comunicação Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Graduou-se em Comunicação Social (habilitação em Relações Públicas) pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), mestrado em Comunicação e Cultura pela UERJ e doutorado em Sociologia — Universidade Paris V (René Descartes), com bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Tem um pós-doutoramento em Comunicação no Centre d’études sur l’actuel et le quotidien (Sorbonne) com bolsa da CAPES e estágio sênior em Comunicação e Sociedade com bolsa da CAPES na Universidade Paul Valéry-Montpellier 3. É professor do programa de Pós-Graduação stricto sensu em Comunicação da UERJ. Tem experiência na área de comunicação organizacional e teoria da comunicação, atuando principalmente nos seguintes temas: relações públicas, cidade, consumo, megaeventos, diversidade e turismo. É consultor ad hoc da CAPES, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro. É coordenador do Laboratório de Comunicação, Cidade e Consumo do Programa de Pós-Graduação em Comunicação/UERJ e bolsista PQ2 do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e Cientista do Nosso Estado da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro.

Igor Lacerda, Instituto de Resistência aos Antimicrobianos de São Paulo, Universidade Federal de São Paulo, São Paulo, Brasil

Igor Lacerda é doutor e mestre em Comunicação pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. É especialista em Marketing Digital e em Gestão de Cidades pela Universidade Cândido Mendes, e em Planejamento de Comunicação Integrada pelo Centro Universitário Internacional. Graduou-se em Comunicação Social pela Universidade Veiga de Almeida. É autor do livro Rio, uma Cidade Sitiada: Narrativas Jornalísticas Sobre a Intervenção Militar (2018), publicado pela Viseu, em 2024. Atua como pesquisador voluntário no Laboratório de Comunicação, Cidade e Consumo, desenvolvendo estudos interdisciplinares sobre narrativas jornalísticas, militarização urbana, violência, medo e memória social. Também atua como comunicador científico, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, no Instituto de Resistência Antimicrobiana de São Paulo, vinculado à Universidade Federal de São Paulo. Recebeu o prêmio de melhor tese no “XIX Congresso da Associação Brasileira de Pesquisadores de Comunicação Organizacional e de Relações Públicas” (2025).

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Publicado

27-02-2026

Como Citar

Brennand, J. M. de A., Freitas, R. F., & Lacerda, I. (2026). Entre o Enigma da Cidade e o Feed Digital: A Feira das Brecholeiras e o Território Urbano de Madureira. Comunicação E Sociedade, 49, e026004. https://doi.org/10.17231/comsoc.49(2026).6812

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