Entre o Enigma da Cidade e o Feed Digital: A Feira das Brecholeiras e o Território Urbano de Madureira
DOI:
https://doi.org/10.17231/comsoc.49(2026).6812Palavras-chave:
cidade-enigma, território urbano, subúrbio, Madureira, Feira das BrecholeirasResumo
Madureira é um dos bairros mais pulsantes do subúrbio da cidade do Rio de Janeiro. Palco de ocupações criativas na rua, Madureira revela-se como um espaço concreto e imaginado, atravessado por memórias, afetos e práticas cotidianas que reinventam suas ruas, praças e viadutos, como o Negrão de Lima, considerado a principal via de acesso ao bairro. Aos sábados, o baixio daquele espaço se transforma na Feira das Brecholeiras, evento que comercializa artigos novos e usados a preços atrativos. O objetivo deste artigo é discutir a forte conexão da feira com Madureira, considerada o coração simbólico do subúrbio carioca. Investigamos como essa relação é narrada por meio da análise de postagens, reels e stories, publicados, entre 29 de julho e 31 de agosto de 2025, nos canais oficiais de divulgação do evento: duas páginas no Facebook (Brecholeiras e Brecholeiras – CUFA Madureira/RJ Vitrine Virtual) e um perfil no Instagram (@brecholeirasoficial). Avaliamos também alguns conteúdos veiculados no YouTube por outros canais, por entendermos que funcionam como espaços para divulgação do evento e do território urbano de Madureira. O estudo foi conduzido a partir da articulação entre levantamento bibliográfico e análise da narrativa, com foco na construção e representação do dia a dia de Madureira nas postagens analisadas. Buscamos, assim, identificar narrativas que evidenciam a conexão entre o evento e Madureira, revelando como um divulga o outro em suas vivências cotidianas. Em conclusão, identificamos narrativas que revelam a conexão entre a Feira das Brecholeiras e o bairro, explicitando que ambos se promovem e se complementam mutuamente.
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