Produção de Conhecimento, Reparação Histórica e Construção de Futuros Alternativos. Entrevista Com Miguel de Barros

Autores

DOI:

https://doi.org/10.17231/comsoc.41(2022).3719

Resumo

A pandemia da COVID-19 exacerbou de modo dramático desigualdades sociais pré-existentes e tornou mais urgente a consciencialização da necessidade de transformação social. Os movimentos sociais para a descolonização do conhecimento e dos sistemas de governança ganharam novo ímpeto assim como as demandas de reparação histórica e de justiça climática, sanitária e alimentar. A reparação histórica tem sido por vezes equacionada apenas em termos de restituição de bens materiais ou de compensação financeira, mas trata-se de uma tarefa bem mais complexa que passa necessariamente por tornar a produção de conhecimento um processo mais envolvente e participativo, dentro e fora da academia, colocando em diálogo diversos saberes com vista à construção de futuros mais justos e inclusivos...

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Biografias Autor

Rosa Cabecinhas, Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, Instituto de Ciências Sociais, Universidade do Minho, Braga, Portugal

Rosa Cabecinhas é docente do Departamento de Ciências da Comunicação do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho e investigadora no Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade. Os seus principais interesses de investigação conjugam as áreas da comunicação intercultural, memória social, representações sociais, identidades sociais e discriminação social. É autora da obra Preto e Branco: A Naturalização da Discriminação Racial (2017, 2.ª edição), coautora da obra De Outro Género: Propostas Para a Promoção de um Jornalismo Mais Inclusivo (2014) e coeditora de diversos livros e números especiais de revistas científicas, entre as quais se destacam Comunicação Intercultural: Perspectivas, Dilemas e Desafios (2017, 2.ª edição), Cinema, Migrações e Diversidade Cultural (2019) e (In)Visibilidades: Imagem e Racismo (2020).

Miguel de Barros, Centro de Estudos Sociais Amílcar Cabral, Bissau, Guiné-Bissau

Miguel de Barros é licenciado em sociologia e pós-graduado em planeamento (Instituto Universitário de Lisboa), editor e investigador guineense. É cofundador do Centro de Estudos Sociais Amílcar Cabral e membro do Conselho de Pesquisa para as Ciências Sociais em África. Desde 2012, é diretor executivo da organização não governamental guineense ambientalista Tiniguena. Tem desenvolvido pesquisas nas áreas da juventude, voluntariado, sociedade civil, meios de comunicação social, direitos humanos, segurança alimentar, migração humana, literatura, mulheres rurais, racismo e música rap. Recentemente foi distinguido com o prémio pan-africano humanitário em liderança na investigação e impacto social. É autor da obra Juventude e Transformações Sociais na Guiné-Bissau (2016) e coautor de A Sociedade Civil e o Estado na Guiné-Bissau: Dinâmicas, Desafios e Perspetivas (2015), Tecendo Redes Antirracistas: Soberania Intelectual (2020); Media Freedom and Right to Information in Africa (Liberdade de Imprensa e Direito à Informação em África, 2015); Sociedade Civil, Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (2014), A Participação das Mulheres na Política e na Tomada de Decisão na Guiné-Bissau: Da Consciência, Perceção à Prática Política (2013).

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Publicado

2022-06-22

Como Citar

Cabecinhas, R., & Barros, M. de. (2022). Produção de Conhecimento, Reparação Histórica e Construção de Futuros Alternativos. Entrevista Com Miguel de Barros. Comunicação E Sociedade, 41, 243–258. https://doi.org/10.17231/comsoc.41(2022).3719