Fluxos, trânsitos e lugares de (des)encontro: contributos para uma lusofonia crítica

  • Luís Cunha Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, Universidade do Minho
  • Lurdes Macedo Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, Universidade do Minho
  • Rosa Cabecinhas Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, Universidade do Minho
Palavras-chave: Lusofonia, cultura, interculturalidade, excecionalismo, singularidade

Resumo

Enquanto conceito, a lusofonia é hoje olhada com justificada desconfiança por muitos lusófonos. Sendo impossível desligar esse conceito do lastro colonial que liga os países que têm o Português como língua oficial, importa, no entanto, não encerrar o debate nesse plano. Neste trabalho revisitamos algumas das narrativas fundacionais de uma identidade mitificada, como são as diferentes assombrações de um prometido Quinto Império ou o lusotropicalismo, tanto na sua fundação no Brasil quanto na sua reconstituição em Portugal. Por outro lado, procuramos pensar a lusofonia a partir da sua matriz formal: uma língua partilhada por diferentes povos em diferentes continentes. Também neste ponto o nosso objetivo é problematizar e densificar o debate, convocando para tal uma experiência singular de reflexão, concretamente a que é elaborada por Jorge de Sena já na reta final do Estado Novo. Partindo dessas focalizações, argumentamos sobre a possibilidade de a lusofonia comportar linhas de fuga a um certo reducionismo crítico, nomeadamente as que decorrem da circulação, convergente e divergente, de narrativas e de experiências singulares. Esta circulação de pessoas, ideias e memórias é potencialmente definidora de um espaço difuso e policentrado de efetiva interculturalidade sobre o qual importa refletir.

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Publicado
2018-12-17
Como Citar
Cunha, L., Macedo, L., & Cabecinhas, R. (2018). Fluxos, trânsitos e lugares de (des)encontro: contributos para uma lusofonia crítica. Comunicação E Sociedade, 34, 147-164. https://doi.org/10.17231/comsoc.34(2018).2941