O Mestiço na “Urgência de Existência”. Essa Dama Bate Bué! (2018), de Yara Monteiro

Autores

  • Susana Pimenta Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, Instituto de Ciências Sociais, Universidade do Minho, Braga, Portugal/Departamento de Letras, Artes e Comunicação, Escola de Ciências Humanas e Sociais, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Vila Real, Portugal/Instituto Politécnico de Bragança, Bragança, Portugal https://orcid.org/0000-0002-3376-4344

DOI:

https://doi.org/10.17231/comsoc.41(2022).3687

Palavras-chave:

geração da pós-memória, mestiçagem, reparação histórica, Yara Monteiro

Resumo

No atual panorama cultural lusófono (2010–2020), vários artistas da geração da pós-memória (Hirsch, 2016), herdeiros do trauma colonial, têm vindo a desconstruir ou a reparar equívocos, injustiças e desigualdades consequentes do sistema colonial, assim como há um conjunto de investigadores que lutam por políticas da memória mais justas, de modo a reparar a Europa na forma como pensou, classificou e imaginou os mundos distantes. A partir do romance de estreia de Yara Monteiro (1979–), Essa Dama Bate Bué! (2018), este artigo pretende analisar a forma como a condição pós-colonial e mestiça da “geração da pós-memória” lusófona é perspetivada. As memórias permitem indagar sobre o passado colonial e sobre as raízes e heranças culturais das gerações seguintes situadas “entre-lugares” (Bhabha, 1994/1998), como é exemplo o mestiço. Yara Monteiro enceta a discussão sobre o trauma, a mestiçagem, a humanidade, e ainda sobre uma possível universalidade ou uma possível reparação histórica, procurando normalizar no discurso europeu o outro lado da mestiçagem. Verifica-se que o processo de identificação do mestiço é ainda hoje problemático, reclamando por isso uma “urgência de existência”.

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Biografia Autor

Susana Pimenta, Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, Instituto de Ciências Sociais, Universidade do Minho, Braga, Portugal/Departamento de Letras, Artes e Comunicação, Escola de Ciências Humanas e Sociais, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Vila Real, Portugal/Instituto Politécnico de Bragança, Bragança, Portugal

Susana Pimenta é doutorada em ciências da cultura, pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, com a tese Dinâmicas Coloniais e Pós-Coloniais. Os Casos de Reis Ventura, Guilhermina de Azeredo e Castro Soromenho. Atualmente leciona na área das ciências da cultura na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e na área das culturas lusófonas no Instituto Politécnico de Bragança. É membro integrado do Centro de Estudos em Comunicação e Sociedade, da Universidade do Minho. A sua pesquisa centra-se nas áreas dos estudos culturais e dos estudos pós-coloniais, em particular em torno das representações culturais e da memória cultural.

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Publicado

2022-06-22

Como Citar

Pimenta, S. . (2022). O Mestiço na “Urgência de Existência”. Essa Dama Bate Bué! (2018), de Yara Monteiro. Comunicação E Sociedade, 41, 61–73. https://doi.org/10.17231/comsoc.41(2022).3687