Materialidade da Governação do Ódio no Instagram: Conflitos em Torno da Imigração em Portugal

Autores

  • Dalvacir Xavier de Oliveira Andrade Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, Instituto de Ciências Sociais, Universidade do Minho, Braga, Portugal/Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas, Faculdade de Comunicação, Universidade Federal da Bahia, Salvador, Brasil

DOI:

https://doi.org/10.17231/comsoc.50(2026).7084

Palavras-chave:

governação de plataformas, discurso de ódio, imigração em Portugal, Instagram, conflito comunicacional

Resumo

Este artigo investiga a materialidade da governação do ódio no Instagram, refletindo sobre o papel desta arquitetura sociotécnica nos conflitos em torno da imigração em Portugal. O estudo insere-se num cenário de transformações na governação migratória, ascensão da extrema-direita e centralidade das plataformas digitais na disputa por visibilidade e participação. O objetivo central é interrogar como a definição e o controlo do ódio anti-imigrante são infraestruturalmente organizados pela plataforma. Para tal, adota-se a metodologia neomaterialista da comunicação associal (Lemos, 2020) e realiza-se uma análise material-discursiva (Barad, 2007; Kitchin & Dodge, 2011). O foco empírico é dado aos padrões da comunidade da Meta, especialmente nas secções “Conduta de ódio”, “Violência e incitação” e “Bullying e assédio”, assim como nas interfaces de denúncia disponíveis aos utilizadores do Instagram. A análise demonstra, por um lado, o reconhecimento formal de “refugiados, migrantes, imigrantes e pessoas que procurem asilo” como grupo protegido contra ataques graves. Por outro lado, o estudo evidencia hierarquias de dano que privilegiam a violência física imediata em detrimento de formas de exclusão política, económica e social, bem como zonas de ambiguidade produzidas por critérios de intenção, contexto, sátira e classificação interna das denúncias. Argumenta-se que a governação do ódio no Instagram funciona como mediador sociotécnico que simultaneamente promete proteção e redistribui responsabilidades de segurança pelos utilizadores, tornando o ódio anti-imigrante parcialmente visível nas políticas e pouco legível na interface. O artigo conclui discutindo as implicações desses achados para as condições de visibilidade, segurança e contestação de pessoas imigrantes no espaço digital.

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Biografia do Autor

  • Dalvacir Xavier de Oliveira Andrade, Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, Instituto de Ciências Sociais, Universidade do Minho, Braga, Portugal/Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas, Faculdade de Comunicação, Universidade Federal da Bahia, Salvador, Brasil

    Dalvacir Xavier de Oliveira Andrade é doutora em Ciências da Comunicação pela Universidade do Minho, com tese sobre a dinâmica comunicacional sociotécnica do trabalho digital de YouTubers brasileiros em Portugal. A sua investigação tem foco nas mediações infraestruturais das plataformas digitais, controvérsias sociotécnicas, migração e trabalho digital em ecossistemas de plataforma. Tem colaboração com o Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, na Universidade do Minho, e com o Lab404 – Laboratório de Pesquisa em Mídia Digital, Redes e Espaço, na Universidade Federal da Bahia, integrando projetos sobre cultura digital, plataformização, dataficação e performatividade algorítmica. Os seus interesses de pesquisa incluem ainda metodologias neomaterialistas, etnografias digitais e estudos críticos sobre precariedade laboral e desigualdades no ambiente digital.

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Publicado

28-09-2026

Edição

Secção

Artigos Temáticos

Como Citar

Materialidade da Governação do Ódio no Instagram: Conflitos em Torno da Imigração em Portugal. (2026). Comunicação e Sociedade, 50, e026016. https://doi.org/10.17231/comsoc.50(2026).7084

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