A Fachada Como Texto: Uma Semiótica do Azulejo e da Distinção Social em Fafe
DOI:
https://doi.org/10.17231/comsoc.50(2026).7006Palavras-chave:
azulejo de fachada, Fafe, brasileiros de torna-viagem, semiótica visual, distinção socialResumo
Este artigo propõe uma análise semiótica dos revestimentos azulejares em sete edifícios históricos emblemáticos de Fafe, construídos na transição do século XIX para o XX. O estudo argumenta que o azulejo transcendeu a sua função ornamental e protetora para se tornar um texto visual e um instrumento central de distinção social. Através de uma análise semiótica, lemos comparativamente as fachadas promovidas pelos “brasileiros de torna-viagem” e pela elite tradicional local. Para tal, a leitura interpretativa mobiliza os conceitos de “denotação”, “conotação” e “mito”, descodificando a sintaxe visual e o contexto cultural destas construções. Os resultados revelam a existência de dois discursos visuais em competição: o primeiro compreende a narrativa do “brasileiro”, que utiliza o azulejo de vanguarda (arte nova), de relevo exuberante ou com referências cromáticas explícitas (verde e amarelo), para comunicar uma identidade cosmopolita e o sucesso de uma “nova riqueza”; a segunda narrativa, representativa da elite estabelecida, responde através do revivalismo (padrões pombalinos) ou da escolha de produções de prestígio, conotando um gosto erudito, legitimidade histórica e uma riqueza culta. Conclui-se que a fachada azulejada em Fafe funcionou como um espaço discursivo onde as elites da belle époque negociaram e competiram publicamente pela sua identidade e hegemonia social. Deste modo, o estudo contribui para os campos das ciências da comunicação e dos estudos culturais ao evidenciar como a cultura visual urbana e o design de superfície materializam dinâmicas de poder.
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