Publicidade nos Média Tradicionais e Comportamentos de Jogo em Jovens Adultos

Autores

DOI:

https://doi.org/10.17231/comsoc.50(2026).6736

Palavras-chave:

publicidade em meios tradicionais, publicidade em pontos de venda, exposição à publicidade, comportamentos de jogo a dinheiro

Resumo

A proliferação da publicidade de jogo a dinheiro em diferentes formatos mediáticos levanta questões urgentes sobre o seu impacto potencial nos comportamentos de jogo. Com o crescente uso e investimento na publicidade digital, os canais tradicionais de publicidade, outrora centrais nas estratégias de comunicação, têm vindo a assumir um papel cada vez mais periférico no debate sobre os efeitos da publicidade. Este estudo procura colmatar essa lacuna, examinando a exposição percebida à publicidade de jogo a dinheiro nos meios tradicionais e nos espaços físicos de venda. A análise incide sobre o Euromilhões e a Raspadinha, duas das modalidades mais populares em Portugal, com recurso a uma amostra representativa de jovens adultos jogadores. Pretende-se compreender qual o perfil dos jogadores de cada uma destas modalidades e em que medida a exposição à publicidade nos meios tradicionais, bem como a comunicação nos pontos de venda, se relacionam com a frequência da participação nestas modalidades. Embora a Raspadinha e o Euromilhões atraiam perfis de jogadores em certa medida similares, subsistem algumas diferenças devido ao género e à idade. Os resultados indicam que a televisão continua a ser a principal fonte de exposição percebida à publicidade de jogo a dinheiro para os jovens adultos jogadores, com diferenças significativas relacionadas com o género e a idade na exposição percebida a anúncios de rádio, outdoors e em pontos de venda. Adicionalmente, os jogadores do Euromilhões que relatam uma maior exposição à publicidade na rádio e nos pontos de venda revelam uma propensão para adotar práticas de jogo mais frequentes. Este estudo contribui para uma reflexão crítica e alargada sobre os efeitos da publicidade ao jogo a dinheiro junto de um grupo vulnerável, sublinhando a necessidade de integrar a publicidade nos meios tradicionais no debate sobre saúde pública e políticas de regulação do jogo a dinheiro.

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Biografias do Autor

  • Cláudia Silvestre, Centro de Estatística e Aplicações, Universidade de Lisboa, Lisboa, Portugal/Laboratório de Investigação Aplicada em Comunicação e Media, Escola Superior de Comunicação Social, Politécnico de Lisboa, Lisboa, Portugal

    Cláudia Silvestre é doutorada em Métodos Quantitativos pelo Instituto Universitário de Lisboa. É docente na Escola Superior de Comunicação Social, membro do conselho de administração e investigadora no Laboratório de Investigação Aplicada em Comunicação e Media do Instituto Politécnico de Lisboa, investigadora no Centro de Estatística e Aplicações (Universidade de Lisboa) e integra projetos de investigação relacionados com o desenvolvimento de cursos online, financiados pelo Politécnico de Lisboa. Cláudia Silvestre é coordenadora do Departamento de Estatística, subcoordenadora do curso de licenciatura em Publicidade e Marketing e coordenadora do Conselho das Eco-Escolas. Leciona Estatística Aplicada à Comunicação e desenvolve investigação, publicando artigos científicos e capítulos de livros nesta área. Os seus interesses de investigação incluem a literacia estatística, a análise de dados e a aprendizagem não supervisionada.

  • Ana Cristina Antunes, Laboratório de Investigação Aplicada em Comunicação e Media, Escola Superior de Comunicação Social, Politécnico de Lisboa, Lisboa, Portugal

    Ana Cristina Antunes é doutorada em Psicologia. É docente na Escola de Superior de Comunicação Social e investigadora no Laboratório de Investigação Aplicada em Comunicação e Media do Instituto Politécnico de Lisboa. Nos últimos anos, os seus interesses de investigação abrangeram desde a psicologia organizacional e o comportamento organizacional positivo até à comunicação e ao envolvimento nas redes sociais, à experiência do utilizador, ao comportamento do consumidor e ao envelhecimento. Ana Cristina Antunes desempenhou funções de coordenadora e investigadora principal em projetos de investigação, bem como de membro de equipa em projetos científicos relacionados com o jogo, a comunicação nas redes sociais e o envelhecimento. Para além de publicar em revistas internacionais e volumes coletivos, contribui também para a publicação académica como parte da equipa editorial e como membro da comissão científica de várias revistas.

  • Ana Rita Farias, Digital Human-Environment Interaction Labs, Universidade Lusófona, Lisboa, Portugal

    Ana Rita Farias concluiu o seu doutoramento em Psicologia em dezembro de 2013 no Instituto Universitário de Lisboa. Atualmente, é investigadora auxiliar e docente nos Laboratórios Digitais de Ambientes e Interações Humanas. Ao longo da sua carreira, ocupou cargos de investigação e desempenhou funções como investigadora convidada em vários departamentos de psicologia, gestão e economia, incluindo a Universidade de Utrecht (Países Baixos), a Universidade de Wisconsin (Estados Unidos da América), a Unidade de Investigação Empresarial e Económica da Universidade Católica de Lisboa e o Centro de Economia e Finanças da Universidade do Porto. Iniciou a sua carreira de investigação no domínio da psicologia social, mais especificamente na perceção multimodal e na abordagem situada da cognição humana. Nos últimos anos, mudou o objeto de investigação da psicologia pura para a economia comportamental. Ana Rita Farias liderou e colaborou em vários projetos de investigação financiados por agências nacionais e internacionais.

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Publicado

27-07-2026

Como Citar

Publicidade nos Média Tradicionais e Comportamentos de Jogo em Jovens Adultos. (2026). Comunicação e Sociedade, 50, e026014. https://doi.org/10.17231/comsoc.50(2026).6736

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